v. 72 n. 286 (2012): Presbíteros: desafios e perspectivas

Em realce, neste fascículo, o clero – seja ele secular ou religioso.

Há dois anos, a CNBB atualizou as Diretrizes para a formação dos presbíteros na Igreja do Brasil. E formação é também o foco das contribuições deste número da REB. Também não é para menos, dada a importância dos presbíteros na vida da Igreja e a mudança de época que provocamos. E ainda, se o afirmado pode ser aplicado aos presbíteros de toda a Igreja católica, obviamente, e com características próprias, pode ser aferido também em relação ao clero católico brasileiro ou vice-versa.

Ora, um aspecto de contexto presbiteral brasileiro e que, portanto, sinaliza um modo próprio de consciência e de integração no todo da Igreja é dado pelos Encontros Nacionais de Presbíteros. Iniciados em 1985, estes Encontros se constituíram em momentos fortes dereflexão e debate sobre a vida e o ministério presbiteral. Éocleropensando a si mesmo, suas necessidades, sua missão, sua comunhão eclesial. Segundo Sandro Ferreira, a contribuições destes Encontros – que também já foram objeto de estudo, exposição e publicação nesta revista (cf. P. Suess, Comunhão e missão presbiteral ontem e hoje: discernimentos e compromissos, REB 70 (2010) 532-563; id., XIII Encontro Nacional de Presbíteros (ENP): memórias de 25 anos de caminhada, ib., 715-724; Manoel Henrique de Melo Santana, As origens da Comissão Nacional do Clero e os primeiros encontros nacionais, REB 68 (2008) 170-182) – apontam para uma Pastoral Presbiteral que os ajude no equacionamento de desafios pessoais e comunitários. Estes últimos, para o clero secular, indicam como caminhos ideais o senso de pertença ao presbitério e a comunhão deste com o bispo, sem, evidentemente, se perder de vista que o presbítero evangeliza em conjunto com os leigos, com todo o povo de Deus.

Há pouco foram lembrados em muitas instâncias eclesiais os 150 anos da morte de são João Maria Vianney, o Cura d’Ars. O contexto sócio-cultural em que ele viveu e no qual se expressou não é mais o nosso. Mas sua intimidade com Jesus Cristo, sua fidelidade à resposta vocacional e sua dedicação às pessoas muito nos ensina, afirma Antonio Alves de Melo, ressaltando, nessa linha, acontribuição do clero no Brasil, ontem e hoje.

Levantar algumas questões de formação do candidato ao presbiterado e apontar perspectivas de cuidado é a contribuição que traz João da Silva Mendonça Filho. O protagonismo pessoal do candidato, seus familiares, suas vivências humano-afetivo-sexuais, sua vida eclesial e sua resposta vocacional são realçados pelo Autor e, nestes aspectos, pistas orientativas são indicadas.

Para o bispo ou o superior maior, quais critérios podem ser de ajuda no discernimento vocacional, ou seja, para acolher um candidato ao presbiterado? Denilson Geraldo aponta para alguns deles, tambémsugerindoo auxílio depsicólogos, senecessário.

Dos presbíteros, Mário de França Miranda nos leva à eclesiologia. E o faz na perspectiva de avaliação dos 50 anos do início do Concílio Vaticano II. Uma Igreja em processo de renovação é o que constata e preconiza. Uma Igreja constituída de comunidades de fé – exercendo a escuta mútua entre seus membros; uma Igreja voltada para o anúncio e a promoção da vida, em todas as suas formas, individuais e sociais; uma Igreja que testemunha sua fé em Jesus Cristo, de modo livre e pessoal, são perspectivas da renovação eclesial dos tempos de hoje.

Encerrando este fascículo, Nicolau João Bakker demonstra a dimensão social da ação da Igreja em tempos relativamente recentes de sua trajetória no tempo sócio-cultural. Ao fazê-lo, repropõe à consideração dos leitores o fortalecimento da dimensão social da fé e da ação da Igreja, à semelhança de Jesus Cristo.

Que a espiritualidade presbiteral ajude a evangelização da Igreja!

Elói Dionísio Piva ofm

Redator

Publicado: 2012-02-15

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