v. 67 n. 266 (2007): Ética e novas interrogações

Não basta o espanto de quem pergunta: Em que mundo estamos? Admitindo que ele muda, como não admitir que nós também mudamos?! Parece que temos mais facilidade de constatar a evolução externa a nós do que perceber que também nosso olhar evolui, quando é principalmente por isso que o mundo não é mais o que era. Mudamos e, por isso, alteramos nossa perspectiva! Também é verdade: conservamos a mesma identidade, mas trata-se de uma identidade criativa e, ao mesmo tempo, que está sob o efeito de volúveis circunstâncias. Parece igualmente acertado: não podemos ser simplórios; mas como fugir da seguinte constatação: o conjunto da evolução que também condiciona nossas possibilidades, interrogações, nossa liberdade, vontade e decisão, ou seja, que incide sobre nossa mundividência e, portanto, sobre nossa convivência e sobre o rumo de nossa criação? Então, articular rápidas e profundas transformações, não só objetivamente falando, mas também dando-se conta das transformações acontecidas em nós e admitidas como próprias da identidade humana e cristã é tarefa dos seguidores de Jesus Cristo, de teólogos e pastores. Mais: é questão de fidelidade ao mistério da encarnação do Verbo. É dar chance de ouvir os apelos das pessoas, quer as consideremos individualmente, ou enquanto inseridas em determinadas associações e culturas. È ouvir a voz do Senhor no aqui e agora da história. Também Jesus, presente, viu e se moveu de compaixão, afirma a tradição eclesial. Também hoje, quantos vêem, comovem-se e agem! Quantos vêem e não se comovem! Outros nem vêem! Outros ainda buscam as raízes da “comoção”, da misericórdia, do amor, ou seja, da identidade humana e cristã. Sim, de muitos modos, o Senhor encanta, estimula e repete: “Vá e faça a mesma coisa!” Articular, pois, fé e vida no dinamismo da história e no pluralismo cultural e religioso de nossos dias é tarefa dos seguidores de Jesus Cristo.

Deste modo, criamos e nos encontramos em novas condições de vida: é o que Frei Antônio Moser constata, realçando a comunicação e relacionando-a com a ética.

Igualmente Francisco de Aquino Júnior, evidenciando algumas características do que entende por globalização, sonda interpelações e respostas novas dos discípulos de Jesus Cristo.

Também Urbano Zilles pergunta pelo sentido da globalização, inquieta-se e fala das perspectivas para a Universidade católica neste processo.

Em todas as circunstâncias, a pergunta dos que caminham na certeza e na penumbra da fé continua sendo esta: Quem és tu, Senhor? Que queres que eu faça? Não se tratando de uma pergunta áulica mas movida pelo desejo de descobrir ou alimentar uma proposta de vida, Dirceu Benincá, em sintonia com a Igreja católica no Brasil, ensaia o anúncio do Jesus Cristo solidário com os excluídos do mundo.

Por fim, cada um a seu modo e a partir de pontos de partida semelhantes, também Agenor Brighenti, Pedro Assis Ribeiro de Oliveira e Wonfgang Gruen, em contexto globalizado, põem-se à escuta das interpelações à solidariedade que vêm da África e dos anseios, da América e da América latina e caribenha, às vésperas da V CELAM.

Quem sabe, a pertinência das colocações comova!

Elói Dionísio Piva ofm

Redator

Publicado: 2007-04-09

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