Da estabilidade molecular à comunhão trinitária
Analogia da ligação covalente em João 14,8-12
DOI:
https://doi.org/10.29386/reb.v86i334.6771Palavras-chave:
Teologia sistemática; Fé e ciência; Ligações covalentes; João 14,8-12; Unidade divina.Resumo
A teologia cristã assevera a unidade divina sem confusão e separação das Pessoas divinas, especificamente na relação entre o Pai e o Filho manifestada em Jesus Cristo. Tal proposição impõe desafios à racionalidade contemporânea, que amiúde restringe a realidade ao domínio do empiricamente observável. Situado na interface entre teologia sistemática e ciência, este artigo propõe uma analogia heurística entre o modelo químico das ligações covalentes, especificamente o mecanismo de compartilhamento eletrônico regido pela regra do octeto, e a unidade relacional testemunhada na revelação bíblica, à luz de João 14,8-12. Longe de pretender uma explicação científica do mistério trinitário, a analogia é empregada como instrumento pedagógico e reflexivo, reconhecendo explicitamente seus limites epistemológicos. Conclui-se que o diálogo entre ciência e fé, quando metodologicamente delimitado, favorece a apreensão mais integrada da realidade sem reduzir a transcendência do mistério revelado.
Abstract: Christian theology asserts divine unity without confusion of the Persons nor separation, particularly regarding the relationship between the Father and the Son manifested in Jesus Christ. This ontological claim poses challenges to contemporary rationality, which frequently restricts reality to the domain of the empirically observable. Situated at the intersection of systematic theology and science, this article proposes a heuristic analogy between the chemical model of covalent bonding,specifically the mechanism of electron sharing governed by the octet rule, and the relational unity attested in John 14,8–12. Far from intending to provide a scientific explanation of the Trinitarian mystery, the analogy is employed as a pedagogical tool, explicitly acknowledging its epistemological limitations. It concludes that the dialogue between science and faith, when methodologically delimited, fosters a more integrated apprehension of reality without reducing the transcendence of the revealed mystery.
Keywords: Systematic Theology; Faith and Science; Covalent Bonds; John 14,8-12; Divine Unity.
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