v. 69 n. 276 (2009): Simone Weil: condição humana e teologia

Realçamos neste fascículo a centenária memória de uma extraordinária mulher: Simone Weil. Convertida à admiração e ao seguimento de Jesus Cristo, na Igreja católica, não deixou de buscar as razões da fé, através de sincero, coerente e instigante empenho intelectual. Como poucos, aproximou e articulou alguns aspectos da situação humana, notadamente os de exploração, miséria, sofrimento e morte com a encarnação, a paixão, a morte e a Ressurreição de Jesus Cristo, estimulando quem dela se aproxima ao diálogo fé e razão. Com efeito, emissão da teologia articular a racionalidade da fé, sem contudo reduzi-la à razão. E, se esta missão sempre foi uma bênção para o ser humano, particularmente para as Igrejas, também o é, de modo muito evidente para nossos dias, na Igreja católica. A racionalidade da fé ajuda na aproximação da verdade na caridade, como também Bento XVI acentuou em sua última encíclica. Você, leitora/or da REB, pode acompanhar este diálogo fé-razão e dele se beneficiar através dos estudos de Maria Clara Lucchetti Bingemer, Emmanuel Gabellieri, Alino Lorenzon e Carlos Roberto Loredo.

Você também tem oportunidade de participar da reflexão em torno de um assunto polêmico e importante, até oportunamente situado no ano dedicado aos sacerdotes pela Igreja católica, qual seja: a relação entre homossexualidade e ministério ordenado. Você tem a possibilidade de acompanhar a criteriosa análise desta correlação, feita por Peter Mettler, de considerar desdobramentos humanos e eclesiais e de dar-se conta das razões administrativas tomadas, a respeito, pela Igreja católica.

A inter-relação entre sociedade civil e religião ou, especificamente, entre sociedade civil pluralista e igrejas ou Igreja católica veio novamente à tona no mundo ocidental e, portanto, também no Brasil. Paulo Fernando Carneiro de Andrade, partindo da encíclica Octogesima Adveniens, do Papa Paulo VI, de 1971, esclarece a missão dos católicos em sua relação com a sociedade em que vivem, e articula a ação resultante desta missão. Em contraposição à privatização e ao intimismo da fé, ele relança a dimensão social não só dos católicos, mas também, dos cristãos e de toda pessoa de boa vontade.

Devido à postura assumida, em geral, pelo ser humano em relação à “Casa” que lhe possibilita viver e conviver, levanta-se hoje a ecologia como uma questão. Uma questão preocupante, em razão das consequências nem sempre benéficas do agir humano sobre o conjunto das dádivas da Mãe-Terra, gerando várias crises derivantes que colocam em risco o presente e o futuro da vida. A Igreja, também através da voz de seus pastores, tem se mostrado atenta, contribuindo, assim, para a tomada de consciência e a busca de soluções adequadas e urgentes. Ludovico Garmus reúne e comenta os recentes pronunciamentos do magistério eclesial, em nível geral, latino-americano e brasileiro. É um significativo serviço que ele presta a quem quiser utilizar-se de ferramentas adequadas para ajudar na conservação e melhoria da vida no Planeta Terra.

Enfim, voltamos à missão da teologia, em geral, e da/o teóloga/o, em particular. Francisco Taborda, resgatando do “baú” coisas antigas, afirma que elas também são novas, atuais, desejáveis e até indispensáveis. Analisando a aula inaugural de Tomás de Aquino para obtenção da cátedra de professor de teologia, reafirma o sumobenefício e, mesmo, a necessidade da convergência entre atividade intelectual (estudo, reflexão) e pastoral (ação): a/o teóloga/o tem a missão de comunicar sabedoria. Outrossim, o A. ajuda a esclarecer pressupostos diferenciais entre Teologia e Ciências da Religião.

Elói Dionísio Piva ofm

Redator

Publicado: 2009-03-11

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