v. 73 n. 290 (2013): Os leigos e o episcopado latino-americano

Editorial

Este fascículo apresenta como destaque de capa: “Os leigos e o Episcopado latino-americano”. Na verdade, aqui, trata-se dos Leigos na Conferência de Puebla (1979). Porém, dois motivos podem ser aduzidos em favor desta escolha de chamada, de sentido mais amplo. Primeiro, porque o artigo de Sávio Carlos Desan Scopinho faz parte de uma série de artigos, que analisam, sucessivamente, em cada uma das Conferências do Episcopado latino-americano, o tema “laicato”; portanto, embora limitado a Puebla, o presente artigo faz parte do esforço de trazer à luz a orgânica e progressiva tomada de consciência deste episcopado sobre este assunto, a partir da década de 1950. Segundo, porque a temática se situa no marco dos 50 anos da convocação do Vaticano II e na esteira de sua criativa recepção por parte da Igreja na América Latina.

A Constituição dogmática Gaudium et Spes, em sua “arquitetura eclesiológica”, após focar a Igreja como Mistério, destaca a vocação à santidade de todos os membros do Povo de Deus; e, ao vincular o exercício dos ministérios eclesiais à vocação à santidade e ao reconhecer a autonomia e a bondade da Criação, apontou para a missão evangelizadora específica dos leigos no mundo, ou seja, na teia das relações e organizações humanas e da Criação. Por isso, vale a pena realçar a missão dos leigos e, de modo particular, o modo como ela vem sendo articulada nas Conferências do Episcopado latino-americano.

Decifrar os sinais dos tempos é acender faróis que possibilitam opções. Antônio Moser saúda o rico momento da história da humanidade em que vivemos. Aponta para realizações em favor da vida e de esperançosas promessas futuras, bem como para indicativos que justificam preocupações. Apresenta a necessidade de cada um/a se localizar em termos de valores, para estar em melhores condições de tomar posição, fazendo opções justas.

Por sua vez, Liomar Antônio Brustolin constata o aumento do sintoma-suicídio, próprio de épocas de perda ou de rápida mudança de referenciais humanos e religiosos. Tendo em vista a contribuição pastoral a oferecer, busca auxílio na Teologia e sugere linhas de compreensão e de valorização da vida.

Magda Luíza Mascarello observa as mudanças no ritual dos vivos por ocasião da morte de alguma pessoa, na contemporaneidade. Debruçar-se sobre o ritual contribui para interpretar com maior acerto nosso tempo e, por isso, para que nossa inserção seja flexível e crítica ao mesmo tempo.

Ainda na perspectiva da busca de discernimento de sentido no engajamento social cristão, Walmir Marcolino Gomes, aborda, por um lado, a propulsora força da esperança escatológica cristã, que, paradoxal e proporcionalmente, incide sobre o compromisso da construção da cidade terrena, da justiça social.

Trocando de assunto, Faustino Teixeira desvela o itinerário místico do poeta, adjetivado como revolucionário, Ernesto Cardenal. O A. e o poeta místico ajudam a intuir a linguagem que se esconde nas entrelinhas do ser humano, valorizando-o como ser integrado ao criado, religioso e místico-contemplativo.

Encerramos a parte de artigos deste fascículo, tratando, com Maurício Gomes dos Anjos, da contribuição que a psicologia analítica pode oferecer à formação humana do sacerdote católico – assunto que merece acurada atenção.

Que a partilha de tantas buscas desague em outras tantas descobertas em prol do ser humano e da Evangelização!

Elói Dionísio Piva ofm

Redator

Publicado: 2013-10-24