v. 74 n. 295 (2014): Evangelizar ou humanizar?

Apresentação

A REB tem a grata satisfação de lhe apresentar, neste fascículo, a contribuição de vários articulistas, que, juntos, lhe oferecem um variado, atual e rico quadro de como a razoabilidade da fé pode ajudar na missão de evangelizar.

Assim, para iniciar, Mário de Franca Miranda parte da constatação do dinamismo da sociedade, caracterizada esta como complexa e plural, e, em função da missão da Igreja, postula a necessidade de uma linguagem que seja adequada, abrangente e evangelizadora. Pergunta: como testemunhar e falar de Jesus e do Reino de Deus para as pessoas desta sociedade? O que pertence à fé, o que pertence à religião, como se articula e rearticula o simbolismo cristão? E, ainda em forma de pergunta, conclui: buscar o que seja “humano”, ser cristãmente humanos não deveria estar na linha de frente da resposta pastoral aos desafios de hoje? Não levaria a desejadas mudanças de mentalidade e de estruturas de serviço?

Alvori Ahlert, referindo-se ao Brasil, recoloca o sonho de uma sociedade democrática. Certo: a concretização deste ideal não é linear-ascendente. Por isso mesmo e por ser sempre uma meta a ser buscada, com estratégias atualizadas, o Autor discute a urgência de se recolocar Ética e Direitos Humanos como fundamento. Ética e Direitos Humanos, que, por certo, não são conceitos estáticos e óbvios, mas diretrizes a serem continuamente discernidas!

Mesmo falecido há três anos, José Comblin estimula com suas intuições ou percepções. Encantada por uma delas – a constatação da rápida urbanização e suas interpelações para a Igreja –, Alzirinha Rocha de Souza, empreendeu estudo sobre a teologia da cidade, a partir do citado mestre. Segundo a Autora, ele impostava sua reflexão sociológica, eclesial e teológica sobre a cidade na centralidade criativa do ser humano, sujeito e destinatário das estruturas urbanas físicas e mentais. Portanto, concluía, a pastoral e a teologia da Igreja não podem não levar em conta a urbanização.


 Nos últimos tempos, também a Igreja católica está sendo socialmente reequilibrada e enriquecida com a crescente participação feminina em vários campos e de várias formas. Neiva Furlin traz presente, a partir de uma conceituação de gerações de Karl Mannheim, o exemplo representativo de três teólogas da PUC-Rio. A constatação é a de que se manifestam e a expectativa é a de que se manifestem outros olhares e outras falas para atestar a razoabilidade da fé.

José Silvio Botero Giraldo constata silêncio, tanto de teólogos e estudiosos, como do Magistério da Igreja, a respeito do cônjuge inocente abandonado. É inexplicável este silêncio, segundo ele. Também porque, hoje, afirma, a reflexão teológica vislumbra perspectivas que permitem ir ao encontro de uma solução pastoral neste caso. O Sínodo extraordinário sobre a família, recentemente realizado, também é resultado de uma inquietação que também envolve o tema pontual do autor.

A partir da Conferência de Aparecida e do Papa Francisco, sobretudo, fala-se de conversão pastoral, de Igreja em saída, de renovação. José de Jesús Legorreta, iniciando por Medellín, perguntou aos bispos das Conferências do Episcopado Latino-americano, através dos documentos emanados, como e o que entendem por conversão e/ou reforma da Igreja na América Latina. Esta consciência não estimularia o discernimento e a inovação no caminho da evangelização?!

E, encontramo-nos às vésperas dos 50 anos do Vaticano II! A partir da Constituição Gaudium et spes daquele Concílio, Alex Gonçalves Pin revisita o importante tema do diálogo Igreja-Mundo. O cristão não é do Mundo, mas se interroga sobre a presença de Deus nele e, constatando-a, reforça sua convicção de irmanar-se na construção de uma sociedade mais justa e fraterna, e de “pontes”.

Que a partilha favoreça o caminhar de todos!

Elói Dionísio Piva ofm

Redator

Publicado: 2014-10-18