v. 56 n. 223 (1996): Mãe-Maria

Para muitos, estamos cm tempos pós-modernos. Para outros, cm tempos de modernidade. Para outros mais, certamente esta diferenciação é irrelevante, uma vez que muitos elementos da modernidade ou da pós-modernidade se integram entre si ou até retomam aspectos de outras definições culturais. Seja como for, certamente podemos entender que sonhos e ideais geram linguagem cultural e que, por sua vez, a linguagem cultural os explicita. Com efeito, há certamente acordo em se considerar que o ser humano, existencialmente condicionado, é um permanente c criativo laboratório de utopias. Assim, carente e sonhador, convive em constante crepúsculo e aurora de paradigmas. Quando da racionalidade se embota a auréola, do ser humano se conclui que não é só e prevalentemente racionalidade. Toda vez que o simbolismo afetivo é empalidecido, há claros indícios de que a emoção e a afetividade não conseguem expressar satisfatoriamente toda a sua riqueza. Assim, talvez possamos nos comparar a saudosos ou esperançosos migrantes de equilíbrio e de plenitude. Se a carência e a morte nos seduzem, a vida e o amor nos encantam. E a linguagem realista e esperançosa da fé no Senhor da história.

Neste fascículo, a veste da Boa-Nova se apresenta com novas e velhas cores. Questionam-se paradigmas, recriam-se outros, busca-se o Cristo no paradigma dos mais diferentes rostos humanos.

O Irmão Afonso Murad repropõe a linguagem simbólica do amor materno, aproximando-a à simbologia de Maria como Mãe.

Pe. José Lisboa Moreira de Oliveira, a partir do fenômeno das “aparições” de Nossa Senhora, registrado um pouco por toda parte, nos ajuda a sondar seu significado: o contexto social condicionante, a presença de sutis manipulações, o desejo e a velada proposta de um mundo novo.

Dom Valfredo Tepe, com sua experiência de atento e zeloso pastor, redescobre e reapresenta a riqueza simbólica da linguagem do coração em tempos de informática, de globalização e de exclusão social.

Frei Marcos Antônio de Almeida ocupa-se de devoções populares nos últimos tempos da Bahia (Salvador) colonial para nos dizer como é que franciscanos e devotos se “entendiam” a respeito da morte e da função dos santos.

Se as populações afro-americanas não têm dificuldade de acolher Jesus Cristo como luz e libertação, é possível constatar e compreender este fato? Confira com Pe. Antônio Aparecido da Silva.

Inculturação: constante proposta nos meios eclesiais de hoje! Talvez caiba a corajosa e pertinente pergunta: estaria a inculturação sendo transformada em fim, negando-se o fermento libertador do Evangelho? José Comblin conversa conosco a respeito.

Elói Dionísio Piva, ofm

Redator

Publicado: 2021-03-29