v. 58 n. 230 (1998): O Espírito estrutura a Igreja

A obediência ao Espírito Santo oxigena a Igreja. Sinônimo de identificação e, portanto, de autenticidade, rejuvenesce e dinamiza sua organização, colocando-a em sintonia com o dom e a missão que recebeu. Se o Povo de Deus, em cada um de seus membros, se mantiver plugado à sua fonte de energia e comunicação, nunca perderá o vigor e a alegria da salvação. Não ficará refém das artimanhas do poder que insuflam uma falsa diferenciação entre seus membros. Na verdade, é a comunhão no dom do Espírito Santo que lhe garante unidade e identidade no servir. E sempre no mesmo Espírito que percebe as necessidades e que, por isso, adapta sua organização à missão de testemunhar o amor que o Pai tem por todos os seus filhos. É sempre no mesmo Espírito que encontrará o Ethos estruturante que lhe possibilita atualizar e adaptar o testemunho, segundo os tempos e as culturas. Em função do constante resgate deste segredo vital e tradicional Pe. Medoro de Oliveira Souza Neto nos faz refletir. Cultivar a identidade carismático-ministerial-alterativa se constitui, para a Igreja, num motivo de glória e numa tarefa de permanente atualidade.

Na mesma perspectiva podemos apresentar a reflexão de José Maria Vigil sobre as intuições básicas da TdL. A busca de sua inspiração de fundo tem o mérito de traduzir a identidade que a caracteriza e de concluir que ela bebe das águas dos lençóis freáticos da Tradição da Igreja. A reflexão sobre seus paradigmas ajuda na conscientização de sua identidade e, re-situando-a na evolução social, na promoção de sua credibilidade.

O Povo de Deus, periodicamente, se constitui em assembleia viva que se reúne para ouvir o Deus da vida, tomando consciência de Povo da Aliança e de sua Missão. Como deveria ser, pois, o local deste encontro, o espaço de celebração da comunidade cultual? Para isso, vale a pena percorrer com José Raimundo de Melo os documentos litúrgicos pós-conciliares e verificar o que ali se propõe. Nossos espaços litúrgicos espelham a fé e a cultura de cada Comunidade eclesial?

A “Igreja Universal do Reino” é um fenômeno, um fenômeno sócio-religioso, um sucesso do ponto de vista mercadológico e religioso, constata Pe. João Edênio dos Reis Valle. Diante disso, que tipo de discernimento teológico-pastoral pode ou deve ser feito em função da missão evangelizadora da Igreja?

Por fim, uma interrogação relativamente pertinente no Brasil: qual a possibilidade de convergência entre catolicismo e espiritismo, no que concerne aos respectivos conceitos de transcendência, ou seja, concretamente, aos temas “Ressurreição” e “Reencarnação”? O ensaio do professor Marcelo Ayres Camurça tenta responder a esta interrogação.

Elói Dionísio Piva, ofm

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Publicado: 2021-02-10

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