v. 63 n. 250 (2003): Leigos: Conferência Nacional?

No momento em que ordeno as palavras e linhas deste Editorial, dada a magnitude e a repercussão da guerra, os promotores da Paz, bem como em geral a humanidade, vivemos uma derrota, segundo João Paulo II. Os esforços para resolução pacífica e “civilizada” das tensões da convivência humana deram lugar à lei do mais forte e os ouvidos selecionaram o som de acobertados interesses. E então impera a lei da selva, trágica, mesmo que seja por pouca duração de tempo. E nem nos limitemos ao atual conflito ou ao atentado de 11 de setembro de 2001. O mal é endêmico, mas só relativamente a seres racionais e de consciência ética! Ou seja, o deliberado ou ingênuo malfeitor não é inocente. É imperioso, pois, que se invoque humilde coragem para romper o círculo vicioso da violência que gera violência, em todas as suas formas, portanto, também na da exclusão cultural e social. Neste sentido, todo cristão é instado a ter consciência de que segue o Senhor da Vida, embora vítima da implacável lógica do ódio que gera mais ódio, violência e morte. É instado a romper o cruel e pecaminoso círculo da morte, embora a vitória seja promessa escatológica. A experimentar a bem-aventurança dos pacíficos, ou seja, dos que promovem a paz, pois “serão chamados filhos de Deus“. A seguir Aquele que se contrapôs ao mal, que entregou a vida em vez de tirá-la de outrem. Por isso, é “o Cordeiro sem mancha”, o “Sol da justiça”, o “Pão da

Vida”, “o protótipo da nova criatura”.

Para fazerem-se mais eficazmente promotores do bem, da justiça e da comunhão fraterna sugere Dom Aloísio Cardeal Lorscheider que os católicos leigos se articulem numa “Conferência Nacional dos Católicos Leigos”, à semelhança da CNBB ou da CRB.

Dom Filippo Santoro, por ocasião (2003) do quadragésimo aniversário da Constituição Conciliar “Sacrosanctum Concilium” do Vaticano II, desejando qualificar a ação da Igreja no mundo, retoma e rediz conceitos que a definem como “sacramento”, ou seja, como portadora da autoconsciência de Povo de Deus que articula o visível e o invisível, o histórico e o transcendente, o humano e o divino.

Embora sob outro ângulo, o litúrgico, José Ariovaldo da Silva, também na feliz memória dos 40 anos da “Sacrosanctum Concilium”, evoca o caminho da celebração do Mistério Pascal na e pela Igreja, particularmente no pós-Concílio e no Brasil. Não só isso: em relação ao Brasil, ele aponta causas histórico-culturais das dificuldades e da alavancagem da renovação litúrgica da Igreja no e pós-Vaticano II e indica desafios e esperanças para o futuro.

O professor Massimo Grilli, que ajuda estudantes brasileiros em estudos bíblicos, traz à tona a importância do que ele chama de “evento comunicativo”. Quanto mais entendemos o fenômeno da comunicação humana, melhores condições teremos para interpretar textos bíblicos.

O pensar teológico na América Latina é objeto de avaliação por parte de Cláudio de Oliveira Ribeiro. Instado pela pergunta: “morreu a TdL?”, leva adiante uma atitude que deveria ser permanente e presente em todos: a da avaliação crítica, ou seja, a de dar-se conta de contingências, limites e contribuições, respondendo a parafraseadas questões como estas: “Quem sou eu para vocês”? “Senhor, que queres que eu faça?”

E o lugar da figura de Maria na espiritualidade e na práxis católica? Além da representação de cunho pessoal ou mesmo comunitário que dela se faz na Igreja, Clodovis Boff enfatiza a imagem social de Maria, apresentando uma mariologia sociolibertadora, não alienadora, mas tão profundamente arraigada na Tradição católica quanto outras representações marianas.

Finalmente, para este fascículo, voltamos ao desafio do mal, evocado pela Tradição cristã sob muitos nomes e plásticas representações. A edição do De Exorcismis et Supplicantionibus quibusdam nos lembra, realisticamente, sua presença, seus limites e regulamenta a postura cristã diante dele. Muda a linguagem, não muda o significado: Dom Frei Boaventura Kloppenburg, bispo emérito de Novo Hamburgo, RS, e ex-Redator da REB, que o diga!

Que a partilha de experiência de humanidade e de fé em JC torne a todos mais felizes!

Elói Dionísio Piva, ofm

Redator

Publicado: 2003-05-23

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