v. 66 n. 261 (2006): Liturgia: lugar da teologia

O conteúdo deste fascículo gravita, basicamente, em torno de dois focos: o da Eucaristia, passando pela Liturgia como um todo e pela via da beleza, e a revisitação do Vaticano II, após 40 anos de seu encerramento.

O foco eucarístico: De modo um pouco diferenciado, tendo o cristianismo como horizonte, reunimo-nos periodicamente para celebrar o dom do Senhor. O dom do Senhor está admiravelmente resumido na sua morte e ressurreição, ou seja, na Sua Páscoa. Entrega, generosa e consciente, de seu corpo, de sua vida. Entrega transfigurada na Sua Ressurreição. Esta passagem da morte para a vida assume e resume a permanente e fundante aspiração de toda a humanidade. Mas, de modo particular, a Páscoa do Senhor é dom acolhido e missão de todos os Seus seguidores. Passagem que não é, para nós, contemplação platônica. Ao assumir o que, por graça, nos pertence, Ele nos associa no dinamismo do Amor. Amor que é passagem da morte para a vida, pois “quem ama passa da morte para a vida”. Amor-doação, que, conseqüentemente, significa encanto, festa, beleza, vida nova. É experiência de Deus, que nos transforma e nos envia para dentro de nosso próprio mundo como portadores desta Boa-Nova, como sal e luz, para proclamar e exercer misericórdia, para sermos, Nele, fermento de renovação.

Pertence, pois, à natureza mesma dos seguidores de Cristo celebrar o Dia do Senhor; celebrar na certeza o Seu dia e na firme esperança o nosso. Na Igreja católica afirmamos que esta celebração – memória-atualização – é nosso ponto mais alto, de convergência e de envio.

Nada mais natural, portanto, que nós, Igreja católica, ainda sob a inspiração de João Paulo II assumida por Bento XVI, tenhamos realizado há pouco um sínodo dos bispos centrado sobre a temática eucarística. Nada mais central e pastoralmente determinante que, no Brasil, celebremos em julho próximo o XV Congresso Eucarístico Nacional.

É, pois, nesta sintonia que amigos e benfeitores nossos – Fr. Sinivaldo Silva Tavares, Cônego Pedro Carlos Cipolini, Pe. Elias Wolff, Dom Filippo Santoro, Cardeal Serafim Fernandes de Araújo, através da REB, apontam para o mistério celebrado, articulando linguagem racional, simbólica e celebrativa.

Outro foco de atenção com justiça contemplado neste fascículo é o da revisitação do Vaticano II, por ocasião do quadragésimo aniversário de seu encerramento. Não se apresenta aqui um balanço global, mas uma abordagem através de duas janelas: a da relação entre Igreja e sociedade – com atenção particular à situação do Brasil – na Constituição Gaudium et Spes, pelo Pe. Mário de França Miranda; e a da natureza da Igreja – evangelizar –, ou seja, sua relação com as religiões não-cristãs e com a humanidade como um todo, no Decreto Ad Gentes, pelo Pe. Paulo Suess. Em torno do Vat. II temos ainda lúcida e breve descrição do “tempo novo” que ele nos trouxe, tempo que nos convida a discernir e seguir os sinais de Deus na história, por Eduardo Hoornaert.

Ano novo, vida nova!

Elói Dionísio Piva ofm

Redator

Publicado: 2006-04-12

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