v. 68 n. 272 (2008): Duns Scotus

Neste fascículo, a REB presta homenagem ao Bem-aventurado João Duns Scotus, por ocasião dos 700 anos de sua morte, e propõe a seus leitores uma “visita” a seu universo antropo-teológico.

Talvez haja quem se admire desta homenagem a um teólogo da virada do s. XIII para o s. XIV e deste convite: homenagem e “visita” seriam relevantes para o s. XXI?!

Pode ser que algum aspecto da linguagem escotista cause algumas “retenções”. Apesar de tudo, estamos convencidos – e certamente todos os que se aproximam de Duns Scotus – de que suas intuições são sobremaneira estimuladoras e de indiscutível incidência pastoral. Ele é reconhecido como “Doutor sutil”. Com efeito, a perspicácia de seu pensamento e a santidade de sua vida são de tal envergadura que podem estimular e orientar os discípulos e as discípulas de Jesus Cristo no cumprimento da missão evangelizadora a que Aparecida os convocou. Com suma coerência, em seu universo de compreensão Jesus Cristo é ápice da criação, da antropologia e da economia da redenção. Aborda com luminosa propriedade aspectos fundamentais do ser humano, como: unicidade, razão, vontade, liberdade, amor e a relação destas potencialidades entre si. No pano de fundo da liberdade e da gratuidade do agir de Deus, o ser humano – sua obra prima – realiza-se na liberdade e no agir em favor da justiça, ou seja, gratuitamente, por amor. Com Cristo e por Cristo, é vocacionado a se confraternizar com todas e com cada uma das criaturas e responder ao amor com amor.

Ademais, não poucos constatam que não nos situamos numa época de mudanças – o que seria corriqueiro –, mas numa mudança de época. Em situações como a nossa, são as questões verdadeiramente relevantes que importam. É então que Duns Scotus se agiganta na busca e na exposição de um sentido de vida verdadeiramente humano, cristão, encantador que se nos apresenta surpreendentemente atual. Assim, é sumamente desejável que se configure uma proposta de vida evangélica, que encante as pessoas, particularmente os cristãos, parceiros na missão de Jesus Cristo e, portanto, chamados a anunciar a salvação.

Cara/o leitora/or, os textos de Sinivaldo Silva Tavares, Adelmo Francisco Gomes da Silva, Johannes Baptist Freyer e Orlando Todisco dizem isto, muito mais e melhor!

A missão, novo paradigma, legado de Aparecida, é apresentada por Paulo Suess, emergindo como a naturalidade dos discípulos de Jesus Cristo, libertador e plenificador do ser humano.

O pensar teológico: o que tem de específico e próprio? Clodovis Boff, em “Volta ao fundamento: réplica”, discute o fundamento teológico e os caminhos da prática evangelizadora na América Latina e no Caribe.

Por fim, mas não por último, uma despedida. Depois de 40 anos a serviço dos leitores da REB, “nosso” Ephraim Ferreira Alves, que – mais do que secretário –foi e continua sendo escritor de inteligência e memória privilegiadas, deixa a Redação! Portanto, agradecimentos pela fiel, valiosa e indelével contribuição!

Elói Dionísio Piva ofm

Redator

 

Publicado: 2008-04-04

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